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Quarta-Feira, 11 de Setembro de 2019 10:28

Cerrado mato-grossense é o que mais sofre com as queimadas deste ano

Autor: 24 horas news

Considerado o estado brasileiro com maior diversificação de biomas – Amazônia, Pantanal e Cerrado – Mato Grosso está neste início de setembro, em chamas. Dois biomas estão queimando de forma exagerada nesta temporada de seca – amazônico e cerrado – e a culpa, como mostra uma reportagem do G1, portal de notícias do Grupo Globo é do homem. O climatologista Carlos Nobre, em resposta a reportagem diz que além do fogo provocado voluntária ou involuntariamente pelo homem apenas raios poderiam causar incêndios nos dois biomas, o que não está acontecendo neste momento, pois raios só aparecem em períodos de chuvas e estamos no período de seca.

 A matéria do G1 mostra que nos primeiros nove dias de setembro houve um aumento considerável de queimadas na região do Cerrado. Chapada dos Guimarães, de tantas belezas naturais, com seus rios e cachoeiras é uma das 20 cidades mato-grossenses que mais vem sofrendo com queimadas neste ano. Tendo o bioma cerrado, a cidade, viu neste final de semana um dos principais pontos turísticos, o Portão do Inferno quer queimado, uma tragédia que chegou próxima a tradicional cachoeira da região, a Salgadeira.

 Andar pela rodovia MT-251 requer cuidados adicionais neste período. As queimadas se estendem por boa parte das margens da rodovia, levando perigo aos motoristas. O mesmo vem ocorrendo mais ao norte do Estado, onde começa a região amazônica.

 Nobre explica que no caso do Cerrado, as árvores estão mais adaptadas ao fogo,  tendo uma casca que suporta incêndio, o que faz dela ter a capacidade de regeneração mais rápida. Entretanto, alerta que a insistência do ser humano em colocar fogo na região, vem prejudicando esta condição do sistema em resistência.

 Confira a matéria publicada nesta terça-feira pelo G1:

 O Cerrado registrou mais focos de queimadas nos primeiros dias de setembro do que a Amazônia, fenômeno inverso ao que foi visto durante o mês de agosto e desde o início do ano.

 

Carlorina Dantas - G1

 Do dia 1º até esta segunda-feira (9), foram 7.304 focos no Cerrado, contra 6.200 na floresta amazônica. No acumulado ano ano, o bioma Amazônia acumula 53.023 focos contra 34.839 do Cerrado

 Nos últimos 30 dias (de 9 de agosto a 9 de setembro), a Amazônia registrou 30.245 focos, contra 17.438 do Cerrado. A tendência de crescimento das queimadas neste segundo bioma começou apenas na última semana do mês.

 Os dados são do banco do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e foram captados pelo satélite de referência Aqua.

 Esse aumento no número de focos no Cerrado não foi visto no mesmo período de 2018. De acordo com o climatologista Carlos Nobre, membro da Academia Brasileira de Ciências e ex-pesquisador do Inpe, o fato provavelmente está relacionado a uma onda de calor que afeta o bioma nos últimos dias.

 O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou um alerta de "Grande perigo" nesta terça-feira (10), que aponta risco para mais de 20 cidades do Mato Grosso, regiões do Cerrado. Há chance de a temperatura ficar pelo menos 5ºC acima da média nos próximos 5 dias.

 "O que está acontecendo são dois fatores: o Cerrado está passando por uma rara onda de calor. É raríssimo este tipo de alerta [do Inmet]. Quando você tem este tipo de temperatura e uma baixíssima umidade, a situação do Cerrado fica muito inflamável" - Carlos Nobre, climatologista

De acordo com o pesquisador, há uma dinâmica no Cerrado. O bioma é adaptado ao fogo, mas não quando ele é aplicado em tamanha proporção pelos humanos. Existem árvores resistentes, mas não tão fortes a ponto de viver em um cenário tomado pelas queimadas.

 "O Cerrado tem aquelas árvores com a casca resistente ao fogo. Tem 60% a 70% de cobertura de árvores, e 30% a 40% de cobertura de gramíneas, e, quando chega, o fogo atinge só as gramíneas, que depois crescem de novo. O Cerrado evoluiu milhões de anos. Mas hoje colocamos fogo demais e ele ainda não está preparado".

 Chuva

 Assim como Nobre, Alberto Setzer, pesquisador do Programa Queimadas, diz que o fogo no Cerrado, e também na Amazônia, é de causa humana – intencional ou acidental. Ele explica que a única causa natural de fogo são os raios, fenômeno que ocorre durante a temporada de chuva no bioma. Não é o caso do Cerrado no momento.

 Em uma análise dos dados do Inpe no início de setembro, constatou-se que ocorreu chuva em apenas em 176 dos 7.304 focos detectados pelo Aqua. O risco de fogo, previsto pelo instituto, era considerado crítico em 4.259 pontos de calor encontrados pelo satélite.

 Os pesquisadores apontam que o calor e o tempo seco ajudam a "espalhar" o fogo, mas não a "criar" novos focos. O G1 mostrou em outra reportagem que a Amazônia apresentou neste ano os mais altos índices de chuva e de queimadas dos últimos quatro anos.

 

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